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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CASA DE BORGONHA - FIM DO CONDADO PORTUCALENSE

E assim acaba o Condado Portucalense. D. Afonso Henriques derrota a sua mãe na batalha de S. Mamede e auto-proclama-se rei, título reconhecido pelo primo Afonso VI de Leão e Castela, no Tratado de Zamora em 1143 e pelo Papa Alexandre III 36 anos depois.

BATALHA DE SÃO MAMEDE



Batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre D. Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas fações confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.

Quando o conde D. Henrique morreu, a 1 de novembro de 1112, fica D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, porque o seu pai lhe teria dado o território na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava. A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128. Os revoltosos escolheram para seu líder D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.

Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficou então nas mãos do infante e dos seus partidários, o que desagradou ao Bispo de Santiago de Compostela,Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras. D. Teresa desistia assim da ambição de ser senhora de Portugal. Há rumores não confirmados que ela teria sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa rogou ao seu filho D. Afonso Henriques.

CASA DE BORGONHA - TERESA DE LEÃO




Dona Teresa, assim conhecida em Portugal, nasceu em 1080 e morreu em 1130. Foi condessa do Condado Portucalense entre 1112 e 1128. Foi casada com Henrique de Borgonha e mãe de Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal e aquele que viria a ser o seu maior inimigo. Mas porque é que o filho se manifesta contra a sua própria mãe?

Em aliança com D. Teresa na revolta galaico-portuguesa contra Urraca esteve Fernão Peres de Trava, da mais poderosa casa do Reino da Galiza. Os triunfos nas batalhas de Vilasobroso e Lanhoso selaram a aliança entre os Trava e Teresa de Portugal. Fernão Peres de Trava passou assim a governar o Porto e Coimbra e a firmar com Teresa importantes disposições e documentos no condado de Portugal. Com a morte de Urraca, tornou-se em um grande aliado do rei Afonso VII de Leão e Castela no Reino da Galiza. A sua aliança e ligação com o conde galego Fernão Peres de Trava, de quem teve duas filhas, indispôs contra ela os nobres portucalenses e o seu próprio filho Afonso Henriques.

Teresa exercera a regência do Condado Portucalense durante a menoridade de D. Afonso Henriques. Mas em 1122, sob a orientação do arcebispo Paio Mendes de Braga, Afonso pretendeu assegurar o seu domínio no condado e armou-se cavaleiro em Zamora.


Em breve os interesses estratégicos de mãe e filho entraram em conflito. Em 1128, juntando os cavaleiros portugueses à sua causa contra Fernão Peres de Trava e Teresa de Leão, Afonso Henriques derrotou ambos na batalha de São Mamede, quando pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português, e assumiu o governo do condado.
Obrigada desse modo a deixar a governação, alguns autores defendem que foi detida pelo próprio filho no Castelo de Lanhoso ou se exilou num convento na Póvoa de Lanhoso, onde veio a falecer em 1130. Modernamente, depreende-se que após a batalha e já em fuga, ela e o conde Fernão Peres foram aprisionados e expulsos de Portugal. D. Teresa teria falecido na Galiza, possivelmente no mosteiro de Montederramo que refundara em 1124, de acordo com um documento assinado em Allariz.
Os seus restos mortais foram trazidos mais tarde, por ordem expressa do seu filho já rei Afonso I de Portugal, para a Sé de Braga, onde ainda hoje repousam junto ao túmulo de seu marido, o conde D. Henrique.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

CASA DE BORGONHA - HENRIQUE DE BORGONHA




Conde D. Henrique, assim conhecido em Portugal. Nasceu em 1066 e morreu em 1112. Foi conde de Portucale desde 1093 até à sua morte. Como era o filho mais novo de Henrique de Borgonha, príncipe francês, neto do rei Roberto II de França, tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, tendo por isso aderido à Reconquista da Península Ibérica. Ajudou o rei Afonso VI de Leão a conquistar o Reino da Galiza, recebendo como recompensa pelos seus serviços o casamento com a filha ilegítima do monarca, Teresa de Leão.

Alguns anos mais tarde, em 1096, D. Henrique recebeu de Afonso VI o Condado Portucalense, que passava a lhe prestar vassalagem directa. O rei de Leão pretenderia assim limitar o poder do conde Raimundo de Borgonha, casado com Urraca de Leão.

Henrique morreu a 24 de Abril de 1112, tendo sido sepultado na Sé de Braga. Tinha tido vários filhos com Teresa, mas só o mais novo sobreviveu à infância: D. Afonso Henriques, que sucedeu ao pai e se tornou no segundo conde de Portucale em 1112.

No entanto, o jovem Afonso rebelou-se contra a sua mãe em 1128, que pretendia manter-se no governo do condado. O que vem a seguir contarei no próximo post.

CASA DE BORGONHA - RAIMUNDO DE BORGONHA




D. Raimundo, o Grande, foi o que reinstituiu o Condado Portucalense sob a égide de Borgonha. Viajou pela segunda vez à Península Ibérica, para se casar com Urraca de Leão e Castela, única filha legítima e herdeira de Afono VI, imperador de Leão, Castela e Constança da Borgonha. 

Vinha acompanhado por seu primo Henrique, Conde de Portugal, que recebeu como mulher a outra filha de Afonso VI de Leão e Castela, Teresa de Leão. Pelo seu casamento D. Raimundo recebeu em apanágio, como feudo, segundo as práticas peninsulares, o condado da Galiza, que se estendia para sul até ao Rio Minho. 

O Condado Portucalense (entre o Rio Minho e o Rio Douro) em Coimbra, foi atribuído como condado a D. Henrique, renascendo assim o condado Portucalense (1096).

CASA DE BORGONHA



Portugal, Galiza, Leão e Castela, foram estes os territórias que designaram a Dinastia de Borgonha. Mas antes importa saber como chegamos aqui. Em 1065, o Condado Portucalense e a Galiza fizeram parte do território atribuído por Fernando I para o seu filho mais novo Garcia II, que se tornou o primeiro monarca a usar o título de "Rei de Portugal". No entanto, ele lutava por controlar os seus nobres irascíveis. Com a sua vitória em 1071, na Batalha de Pedroso, onde derrota Nuno II Mendes, o Condado de Portucale é extinto.

Mais tarde, em 1071, os seus irmãos Afonso VI e Sancho II tomaram o reino da Galiza (incluindo Portugal), expulsando Garcia. Na primavera seguinte, Sancho, por sua vez, expulsou Afonso, juntando Galiza (incluindo Portugal) a Castela e Leão. Sancho apareceu como rei num documento português de 1072. Com o assassinato de Sancho, mais tarde, no mesmo ano, D. Afonso VI sucedeu à coroa, solidificando a posição de Portugal como parte integrante do maior reino unificado.

Em 1093, Afonso VI oferece o condado ao seu genro, Raimundo, que o cederá, em 1096, a Henrique, que restaura a independência do condado.




Por ter sido restaurado o Condado Portucalense por Henrique de Borgonha, nas assim a Casa Ducal de Borgonha, sendo um ramo cadete da dinastia capetiana, e a dinastia da Borgonha reinante em Leão e em Castela derivada da casa condal da Borgonha, por via do conde D. Raimundo, pai do imperador Afonso VII de Leão e Castela. 




A Dinastia de Borgonha, também chamada Afonsina (pelo elevado número - quatro - de soberanos com o nome de Afonso) foi a primeira dinastia do Reino de Portugal. Começou em 1096, ainda como mero condado (autonomizado em reino em 1139-1143) e terminou em 1383. D. Afonso Henriques tornou-se Príncipe de Portugal depois de vencer os nobres galegos, os Peres de Trava, aliados de sua mãe, D. Teresa, na batalha de São Mamede em 1128. Foi apenas em 1179 que o Papa Alexandre III reconheceu Portugal como um Estado independente, o que na época era fundamental para a aceitação do reino no mundo cristão. D. Sancho I sucedeu a D. Afonso I, seu pai. À semelhança do anterior continuou o processo de Reconquista da Península Ibérica sob domínio Mouro. A D. Sancho I sucedeu D. Afonso II, seu filho. Em 1223 o seu filho D. Sancho II sucedeu-lhe. O reinado deste não durou muito tempo e em 1248 seu irmão subiu ao trono, D. Afonso III. Foi ele que terminou com a presença muçulmana em Portugal, re-adaptando o título de Rei de Portugal e dos Algarves. Com as fronteiras do território definidas através do Tratado de Alcanizes (1297), D. Dinis, filho de Afonso III e herdeiro da coroa, começou um processo de exploração da terra do reino. Em 1325 sucedeu-lhe D. Afonso IV, cujo filho, D. Pedro I, protagonizou um dos episódios mais conhecidos da História de Portugal, que Luís de Camões incluiu n’Os Lusíadas, o amor de Pedro e Inês de Castro. Com a morte de D. Pedro I, o filho primogénito, D. Fernando subiu ao trono em 1367. Em 1383 sua filha, D. Beatriz, casou-se com João I de Castela, o que complicou a continuidade da dinastia. Em 1383, com a morte de D. Fernando, o reino entra em anarquia total, com a ameaça de anexação pelo reino de Castela. Após a eleição de D. João I como rei nas Cortes de Coimbra de 1385, considera-se iniciada uma nova dinastia, pela quebra na sucessão legítima, ainda que o novo soberano descendesse directamente do rei D. Pedro I. No ano de 1390 o Conde Pedro I unificou o Reino de Portugal, por definitivo.